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Há momentos em que a realidade precisa ser arrancada à força das mãos de quem insiste em moldá-la conforme conveniências, vaidades ou interesses políticos. O chamado “caso dos professores”, cuja tragédia remonta a 2009 e vitimou Álvaro e Elisney, é um desses episódios em que a versão oficial parece ter sido construída mais para satisfazer expectativas do que para refletir a verdade dos fatos.

 

No próximo dia 05 de maio, em Itabuna, o júri popular promete encerrar — ou escancarar de vez — uma história que, há anos, vem sendo contada de forma perigosamente simplificada. Como se bastasse apontar culpados para que a justiça estivesse feita. Não está.

 

17 ANOS APONTANDO A FARSA 

 

Desde o início, quando ainda atuava como diretor do Jornal Topa Tudo, sustentei — com base em jornalismo investigativo — que estávamos diante de algo muito diferente do que se divulgava. Hoje, na condição de advogado, não apenas mantenho essa posição: aprofundo-a, com ainda mais convicção e responsabilidade.

 

E é preciso deixar claro, sem rodeios: eu não “acho” que os acusados são inocentes. Eu tenho certeza absoluta disso.

 

Não se trata de opinião. Trata-se de convicção construída ao longo de 17 anos enfrentando versões oficiais, resistindo a pressões e analisando um conjunto de elementos que jamais foi devidamente enfrentado de forma séria e imparcial por quem acusou.

 

Foram 17 anos lidando com o Ministério Público, com a APLB e com a Polícia Civil — e, ainda assim, nenhuma dessas instituições conseguiu me desmentir, mesmo após eu ter estampado, reiteradamente, as inconsistências do caso em matérias de capa do Jornal Topa Tudo.

 

Mais do que isso: há mais de  1 ano disponibilizei integral acesso ao conteúdo do meu blog aos dirigentes da APLB. Nenhuma resposta. Nenhuma contestação. Nenhum desmentido. O silêncio, nesse caso, não é prudência — é revelador.

 

SE FOR O CASO, QUE O PUNIDO SEJA EU 

 

Por isso, faço aqui um compromisso público: se eu estiver errado ou tentando distorcer a verdade, que eu seja responsabilizado. Que recaia sobre mim o peso de ter sustentado uma tese equivocada. Mas, se estiver certo — e estou — será preciso reconhecer que se tentou transformar uma narrativa frágil em verdade absoluta, com consequências potencialmente irreversíveis.

 

E é justamente aí que mora o maior perigo: o da injustiça travestida de justiça.

 

No júri, na condição de testemunha de defesa dos acusados, responsabilidade que não posso declinar, levarei ao conselho de sentença informações inéditas, inclusive relatos de juízes e delegados que acompanharam o caso de perto. Depoimentos que desmontam, ponto a ponto, uma construção acusatória que jamais se sustentou com o mínimo rigor probatório.

 

 

O que houve, tenho absoluta convicção sobre isso, foi um enredo montado para oferecer uma resposta rápida à sociedade. Um roteiro onde os fatos foram adaptados à tese — e não o contrário. Um atalho perigoso, típico de quem prefere aplausos imediatos à responsabilidade duradoura.

 

PROVAS, QUE PROVAS? 

 

E o mais grave: as chamadas “provas” que sustentam a acusação se resumem, essencialmente, a declarações contraditórias de dois indivíduos diretamente envolvidos em crimes graves, que, após colaborarem com a versão acusatória, foram liberados e desapareceram. Um acordo conveniente, útil para fechar o caso — mas insuficiente para sustentar uma condenação justa e honesta.

 

 

É esse tipo de construção que deveria causar indignação. Não pela ousadia de quem denuncia, mas pelo risco concreto de condenar inocentes com base em ilações.

 

CONVITE A TODOS OS OPERADORES DO DIREITO 

 

Por isso, o convite é inevitável: que a imprensa, os operadores do Direito, estudantes e professores acompanhem esse julgamento com atenção. Não como espectadores de um espetáculo, mas como observadores críticos de um sistema que, quando falha, falha de forma devastadora.

 

Vivemos tempos em que narrativas rápidas, muitas vezes produzidas em poucas linhas e consumidas sem reflexão, ganham status de verdade. Mas o Direito não pode se submeter a isso. Acusações exigem provas. E provas exigem rigor.

 

Sem isso, o que se tem não é justiça. É apenas a ilusão dela.

 

E ilusões, quando legitimadas pelo Estado, não absolvem — condenam.