Porto Seguro tem o privilégio de ser governada por um artista. Não um administrador, não um gestor — mas um artista da enganação. O prefeito Jânio Natal é uma espécie de maestro do blefe, que rege a cidade ao som de promessas falsas, anúncios espetaculosos e obras que começam com fanfarra e terminam em silêncio constrangedor.
A cada semana surge uma nova epopeia: são quadras de esportes que desapareceram no ar como truques de mágica, restaurantes populares que nasceram como bandeira eleitoral e morreram como calote milionário, a volta triunfal da Zona Azul mais cara que estacionamento de shopping de luxo, ou as tais das Reurb e que, em 5 anos, nunca foram entregues à população.
Tudo com a mesma assinatura: a velha “síndrome de Pinóquio”, marca registrada de um prefeito que fala muito, promete mais ainda e entrega quase nada.
O caso da ponte Porto Seguro–Arraial é um espetáculo à parte. Jurou que seria a obra do século. Parou exatamente no dia da eleição de 2024. Ficou abandonada por um ano, mas agora volta à cena com um custo milionário e um show de Durval Lelys, corrida de rua e camisetas.
É a ponte que o pariu — literalmente. Obra parada, dinheiro voando e o contribuinte pagando a conta, como sempre.
Enquanto isso, a prefeitura segue a lógica do caixa-preto: herdou R$ 30 milhões em dinheiro vivo e sem dívidas. Hoje, deve meio bilhão. Meio bilhão. Tudo com parcelas descontadas direto do Fundo de Participação dos Municípios, o que significa que o próximo prefeito já começa o jogo perdendo de goleada. A operação tem até nome clássico: “Rapa do Tacho”.
AFINAL, CADÊ O MP?
E o Ministério Público? Ora, o MP em Porto Seguro parece viver em outro planeta. Restaurantes populares usados em campanha? Não houve fraude, diz a promotoria. Festas milionárias sem licitação? Silêncio absoluto. É como se o órgão fiscalizador tivesse se transformado em fã-clube oficial da administração.
O DOMÍNIO DO CRIME ORGANIZADO
O problema é que a cidade não é palco de circo. Nos bairros mais pobres, onde a presença do Estado é só uma piada de mau gosto, o crime organizado ocupa o espaço que o prefeito abandonou. Turistas e moradores que se cuidem: enquanto Jânio canta vitória em palanque, a panela de pressão social ferve prestes a explodir.
No fim, resta uma certeza: em Porto Seguro, cada promessa de Jânio é um investimento em frustração. Se o STF confirmar de fato a cassação do prefeito, o que sobrará é a herança de Pinóquio: cofres vazios, cidade endividada e uma ponte de faz de conta.
