abolsanaro

 

 

A prisão de Jair Bolsonaro não é exatamente uma surpresa nacional. Surpresa seria se ele tivesse conseguido terminar a carreira política sem tropeçar na própria língua — o órgão mais ativo, mais perigoso e mais mal utilizado de seu governo. No fim das contas, o peixe não foi fisgado pelo anzol do STF, mas pelo anzol que ele mesmo pendurou na boca.

 

A derrocada começou quando o clã Bolsonaro decidiu que atacar o Supremo era esporte olímpico. Bastava um filho mais falastrão anunciar que “um cabo e dois soldados” fechariam o STF para transformar Alexandre de Moraes no Bruce Willis institucional: duro de matar e com gosto especial por vingança jurídica. Dali em diante, estava decretado: Lula livre, Lava Jato enterrada, a roubalheira generalizada e o PT de volta — e Bolsonaro com o destino de quem cutuca onça com cotonete.

 

A FALTA DE VISÃO  E DE ESTRATÉGIA

 

Se tivesse ouvido qualquer caçador de verdade, saberia que a primeira regra da caça é ficar quieto  e se aproximar da caça em silêncio. Mas Bolsonaro governou como quem apresenta stand-up no boteco. Agrediu médicos, jornalistas, mulheres, negros, gays, artistas e uma infinidade de classes — e achou que com o STF seria igual. Descobriu da pior forma que, no jogo do poder, quem late muito não morde. E quem rosna para juiz costuma sair de coleira.

 

O “imbrochável” broxou, e feio. O homem que prometia enfrentar a Justiça está agora cumprindo decisão judicial, condenado a décadas de cadeia. Não por corrupção bilionária — isso é luxo para profissionais como Lula e sua quadrilha.  Bolsonaro caiu por incompetência pura: falou demais, pensou de menos e desafiou quem escreve as regras do jogo.

 

Seus filhos, ao que tudo indica os maiores cabos eleitorais do PT  que conheço,  seguem a mesma trilha, como herdeiros de um patrimônio político feito de bravata e burrice. Não é perseguição. É física: quem pula sem olhar cai.

 

QUE SIRVA DE ALERTA

 

A prisão do ex-presidente deveria servir como alerta: quem vota em bravateiro colhe tragédia; quem elege influenciador ganha improviso; quem troca seriedade por memes acaba governado por personagens que falam muito, entregam pouco e caem feito patos no primeiro laço.

 

Bolsonaro não caiu por crime de Estado. Caiu por crime de soberba. E soberba, ao contrário do que muitos acreditam, dá cadeia.

 

E que Deus tenha piedade de quem ainda acha que coragem se mede por decibéis.