No Brasil, elogiar autoridade costuma levantar suspeitas de pedido de carguinho. Pois bem: ao menos aqui no Contraponto não tem carguinho, não tem contrato e muito menos bajulação. Quem me conhece sabe que, se dependesse de mim, metade das autoridades já teria pedido demissão por vergonha, sobretudo a nossa Câmara de Vereadores e que tem conseguido a proeza de piorar a cada dia que passa.
Mas hoje abro uma honrosa exceção — rara e absolutamente necessária.
Falo do juiz André Strogenski, há mais de 23 anos servindo Porto Seguro e Cabrália, e do ex-oficial do Registro de Imóveis, Sr. Vivaldo Afonso Rego, que dedicou mais de 60 anos impecáveis à Serventia local, até ser misteriosamente afastado e perder a titularidade para um interventor nomeado pelo TJBA — cujo principal feito foi piorar o serviço do CRI em escala industrial.
JUSTIÇA A QUEM MERECE JUSTIÇA
Por inicitiva do vereador Enildo da Gama, o Roló, ambos receberam, por unanimidade, Moção de Solidariedade e Desagravo na Câmara de Vereadores na manhã desta quinta-feira, 11. E não foi por mera simpatia: foi por justiça.
E não era para menos. Isso porque a tal correição da CGJ, aquela operação folclórica que misturou gente séria com juízes agiotas e contas milionárias, colocou Strogenski e Vivaldo no mesmo balaio de suspeitas sem apresentar uma única prova de dolo, vantagem ilícita ou desvio moral. Nada. Zero. Nenhum real recebido por supostas praticas criminosas. Só ruído. Pura cortina de fumaça.
Resultado?
A Vara Criminal piorou.
O Cartório despencou.A Justiça simplesmente quase que parou.
Advogados e cidadãos são humilhados diariamente no Cartório com notas devolutivas e pedidos absurdos, infundados e contrários ao ordenamento jurídico.
E o jurisdicionado que busca o seu direito não recebe por parte do Estado o respeito e a dignidade que merece.
E, como sempre, quando a máquina pública trava, só melhora para quem vive da confusão.
Ironia das ironias: Strogenski é justamente o juiz premiado pelo TJBA e pelo CNJ por produtividade — ouro em 2022, prata em 2023 — desempenho que caiu drasticamente depois da “moralização” que o afastou.
E sobre seu Vivaldo… basta perguntar a qualquer morador ou advogado sério: Porto Seguro nunca precisou tanto da seriedade que ele entregou por seis décadas.
Por isso, as duas Moções e os dois desagravos não são mero papel ou exercício de puxa-saquismo barato, como aconteceu no momento da entrega de títulos de cidadão porto-segurenses: é um recado claro de que reputação ainda vale mais que rumores burocráticos.
Num tempo em que aparecem juízes milionários e cartórios que viram minas de ouro, punir justamente quem sempre agiu com honestidade só pode ser fruto da nossa já conhecida “vã sabedoria”.
Ou, como diria o poeta, talvez exista muito mais atrás das cortinas do que querem que você acredite.