ANOTA

Confesso que, até esta semana, eu continuava firme na minha posição de cético com carteirinha: não acreditava que o prefeito Jânio Natal poderia, de fato, ser cassado pelo STF. Parecia exagero, fofoca, torcida de adversário.



Mas, diante da nota publicada hoje pela Prefeitura — aquela que garante que é “Fake” a notícia sobre a rejeição, por unanimidade, dos embargos de declaração no TSE — começo a reconsiderar. Não pela notícia em si, mas pelo simples fato de que, quando a Prefeitura se apressa tanto em dizer que é mentira… é porque a coisa deve ser bem mais verdadeira do que parece.



TRAGÉDIA GREGA OU GUERRA CIVIL À VISTA?



Segundo a nota, a informação é “falsa” e fruto de “postagens politiqueiras” que querem “causar instabilidade política e social” na cidade. O tom é de tragédia grega: se acreditarmos nisso, Porto Seguro está prestes a entrar em guerra civil por causa de um julgamento em Brasília.



Pois vamos aos fatos. Não há fake nenhum. Muito pelo contrário. No próprio voto, o relator, ministro Antonio Carlos Ferreira, deixou claro: embora JN tenha sido vitorioso no TSE em fase anterior, os embargos rejeitados agora eram “mera tentativa de limitar fundamentos para preparar terreno a um futuro recurso ao STF”. Tradução simultânea: a defesa já está montando a trincheira para atrasar, o quanto puder, a cada vez mais iminente cassação do mandato. Basta entender um mínimo de Direito — ou simplesmente saber ler — para chegar a essa conclusão. Vou até colocar novamente a decisão abaixo para quem ainda não leu para ver quem está divulgando Fake, se a prefeitura ou os adversários do gestor.


EM BUSCA DE PROTEÇÃO PARTIDÁRIA

 


E enquanto isso acontecia no plenário, onde estava o prefeito? Em São Paulo, ao lado de Waldemar Costa Neto, presidente nacional do PL, numa peregrinação política em busca de proteção partidária. Infelizmente para JN, o prestígio do líder do PL anda tão baixo que não conseguiu nem evitar que um ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, fosse parar na mira da Justiça.



Imaginar que ele vá convencer onze ministros do STF a legalizar a figura do “prefeito profissional” — aquele que se elege, renuncia antes da posse, passa o cargo para o irmão sem voto e volta depois para repetir o ciclo — é acreditar em Papai Noel de terno e gravata.

VEJA A DECISÃO CONTRÁRIA AO PREFEITO JÂNIO NATAL

 

QUEM FOI O GÊNIO?


Resta a dúvida: de quem foi a ideia brilhante de publicar uma nota oficial que, do início ao fim, é uma aula prática de fake News e um verdadeiro tiro no pé da atual administração? Algum estrategista de comunicação pago a peso de ouro? Ou teria sido obra do próprio “professor de Deus”, no caso, o prefeito? Difícil saber. A Prefeitura de Porto Seguro já está naquela fase em que a gente nunca distingue se está falando sério, se está blefando ou se está apenas treinando para um curso de contrainformação.


FALA SÉRIO 



O mais irônico é que a população, a de verdade e que vive no mundo real, não está nem aí para o destino político do prefeito. O cidadão que acorda cedo, pega ônibus lotado e batalha o dia todo quer saber de outra coisa: quando vão retomar as obras da ponte, quando vai sair a reforma do secretariado prometida há mais de um ano, quando as escolas e postos de saúde vão ter médicos, remédios e exames? O cidadão comum quer saber quando as ruas vão deixar de parecer crateras lunares e, principalmente, qual é o tamanho do rombo no Fundo de Participação dos Municípios, já que as parcelas dos empréstimos milionários feitos para bancar obras de campanha — vendidas como se fossem pagas com dinheiro próprio — já começaram a ser cobradas e descontadas direto pelos bancos.



No fim das contas, só existe um grupo realmente preocupado com o futuro de JN: os assessores fantasmas, aqueles que aparecem apenas no contracheque. Estes, sim, têm motivo de sobra para começar a perder o sono.