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Pois é. Parece piada, mas é só mais um episódio vergonhoso da tragicomédia político-administrativa brasileira. Eunápolis, cidade promissora, viu seus sonhos serem varridos por um furacão chamado Cordélia Torres. Sim, ela mesma — aquela que apareceu em 2020 dizendo que “era hora da mudança”, que pregava a moralidade com as mãos postas e que prometia dar um banho de gestão. Deu. Um banho de destruição.

 

Cordélia chegou com ares de "salvadora da pátria", montada em promessas redondas, slogans cafonas e maquiagem ideológica. E não veio sozinha. Trazia ao lado ninguém menos que Paulo Dapé, ex-prefeito, sobrevivente da Covid-19, e que, ao invés de voltar à vida com gratidão, voltou com sede de poder.

 

Um figurão que, pela experiência, podia pelo menos evitar o desastre. Mas preferiu assistir — e participar — do espetáculo de horror político.

 

O CAOS POLÍTICO, ADMINISTRATIVO E FINANCEIRO 

 

O que se viu ao longo dos anos seguintes não foi uma gestão — foi um desgoverno, com “D” maiúsculo. A cidade virou um amontoado de escombros administrativos: ruas esburacadas, lixo por todo lado, servidores com salários atrasados, saúde pública entregue às baratas, educação estagnada, e o lendário Pedrão que, desde Cordélia, virou só saudade. A cereja do bolo? A fechadura na porta da Policlínica Municipal, com equipamentos caríssimos se transformando em sucata. Um tapa na cara de quem precisa de atendimento. Um retrato fiel do desprezo institucional pela vida.

 

Cordélia, que chegou prometendo “resgatar a autoestima do povo”, acabou resgatando apenas a autoestima do próprio bolso — e, segundo os bastidores da cidade, construiu em tempo recorde uma das maiores fortunas políticas já vistas por lá.

Se isso é verdade ou não, os próximos capítulos dirão. Mas o estrago? Ah, esse ninguém precisa provar. Está escancarado nas ruas de Eunápolis.

 

REJEIÇÃO TOTAL 

 

E se restava alguma dúvida sobre o fracasso, basta ver o final melancólico de sua trajetória política. Não teve sequer coragem de se lançar à reeleição. Não foi por humildade. Foi por rejeição avassaladora. Em outras palavras: Cordélia foi expulsa das urnas antes mesmo da campanha começar. Quem passa pelo poder com a arrogância de uma imperatriz, mas governa com a habilidade de um estagiário, colhe exatamente isso: repúdio.

 

SEM DINHEIRO E SEM CRÉDITO 

 

O pior é que o rastro de destruição não ficou apenas no passado. Eunápolis está quase que  quebrada. Não pode contrair empréstimos, não pode celebrar convênios importantes, e tem que se virar com a arrecadação local e o FPM. Resultado? O atual prefeito, por mais boa vontade que tenha — e dizem que tem — está engessado. Recebeu uma herança maldita, uma bomba-relógio sem manual de desarme.

 

 

Reerguer Eunápolis não será tarefa para um mandato só. Será preciso fôlego, coragem e uma boa dose de remédio amargo. Mas acima de tudo, será preciso que a população lembre, não esqueça, e cobre. Porque, se a cidade chegou ao fundo do poço, é porque deixaram Cordélia cavar.

 

Fica o aviso: quem vota na propaganda, colhe a tragédia.