Não sou exatamente conhecido por suavizar as palavras — e não vai ser hoje que vou começar a me autocensurar para agradar o marketing de campanha de político com cara de paisagem.
Porto Seguro, minha gente, virou uma vitrine de maquiagem pública: obra com tapume, promessa com drone, selfie com asfalto ainda quente. Tudo isso bancado, claro, com empréstimos que dariam para comprar uma cidade inteira no interior da Alemanha — e pagar em euro.
PROEZA HOMÉRICA
A administração de Jânio Natal conseguiu a proeza de transformar um orçamento bilionário em 7 ou 8 praças reluzentes que parecem feitas mais para render foto de Instagram do que para servir ao povo. E tudo isso com um exército de mais de mil assessores — todos estrategicamente treinados para não entregar absolutamente nada além de suspiros bajulatórios e rasgação de seda em redes sociais. Um verdadeiro milagre da multiplicação da improdutividade.
SECRETÁRIO FORA DA CURVA
Mas justiça seja feita — e quando a verdade brilha, até o sarcasmo se rende. Se Porto Seguro ainda tem algum sinal de respiro, algum rastro de dignidade administrativa visível a olho nu, isso atende por um nome: Luciano Alves.
O secretário de Serviços Públicos é, sem exagero, o último bastião da funcionalidade dentro de uma gestão que vive entre a promessa e a cortina de fumaça.
Luciano não é político. Não é marqueteiro. Não é aquele tipo de gestor que aparece na TV com colete de obra e capacete branco tirado da embalagem só para a foto. Ele é do tipo que acorda às 4 da manhã — não para discursar, mas para pegar no pesado com os garis. E não é figura de linguagem. Vai lá, toma café com os trabalhadores, ouve, orienta, e depois... trabalha. Isso mesmo: trabalha. Palavra em extinção nos corredores da atual Prefeitura.
Enquanto muitos fazem cara de projeto e corpo de férias, Luciano está no barro e nos bairros, no lixo, no canteiro e na rua. Porto Seguro, nos últimos 60 dias, começou a dar sinais de que ainda pode parecer uma cidade cuidada — não por mágica, mas porque alguém, de fato, resolveu fazer o que tem que ser feito.
QUE NÃO SEJA APENAS UM AMOR DE VERÃO
Sim, há quem diga que o “milagre administrativo” recente tem muito a ver com o calendário eleitoral e com a súbita escalada do filho do prefeito como pré-candidato a deputado estadual. Pode até ser. O menino é gente boa e esforçado. Só é triste saber que a cidade só melhora quando a urna se aproxima. Um tipo de amor de verão administrativo: intenso, passageiro e, quase sempre, decepcionante quando passa o calor. Pelo menos foi assim entre outubro do ano passado e outubro deste ano. Ou não?
Mas Luciano Alves não depende de eleição. Depende de caráter, de fibra e de uma vocação rara para o serviço público de verdade — aquele que não precisa de holofote para acontecer.
Se a gestão atual tivesse metade do empenho que Luciano demonstra antes do sol nascer, Porto Seguro já teria dado um salto de décadas. Enquanto isso, seguimos aqui, torcendo para que pelo menos um homem continue carregando a cidade nas costas enquanto os outros fingem que governam.
