
O poder sempre foi uma ilusão cara. Na Roma Antiga, pelo menos, o sujeito tinha que enfrentar leões. Hoje, em Porto Seguro, basta recomeçar uma obra que na verdade nunca foi iniciada, inventar uma festinha com dinheiro público e achar que o povo vai aplaudir como se fosse o maior feito da história da humanidade. E geralmente dá certo.
Pois é, o prefeito Jânio Natal, prestes a ser cassado, ao menos presume-se, resolveu acordar do retiro espiritual de um ano e retomar a famosa ponte Porto/Arraial — aquela mesma que virou piada depois de parar um dia depois das eleições. Agora, com um olho na Justiça e outro no caixa, o prefeito tenta vender a ideia de que está “trabalhando”. Na verdade, está é fazendo malabarismo para salvar a própria pele e empurrar goela abaixo seu vice, Paulinho Toa Toa, como herdeiro político.
O REBANHO EM FESTA
O que choca não é o estelionato eleitoral em si — isso já virou rotina no Brasil. O que realmente espanta é ver o rebanho literalmente em festa, correndo para tirar foto, postar coraçãozinho e escrever textão de agradecimento como se o prefeito estivesse pagando a obra do próprio bolso. Isso depois de gastar mais de R$ 1 milhão em show de axé e corrida, como se Porto Seguro não tivesse buracos e problemas de sobra esperando solução.
Realmente é surreal. É mais uma vez Porto Seguro sendo Porto Seguro. Uma verdadeira cusparada na cara do contribuinte transformar promessa de campanha em espetáculo. Mas, para a plateia dos bajuladores, tudo bem: enquanto tiver nomeação fácil e contracheque sem precisar trabalhar, vale aplaudir qualquer coisa — até nota de 3 reais.
No fim das contas, não há mágica nenhuma: é o prefeito desesperado, endividando o município e raspando o tacho até o último centavo para manter vivo o seu projeto pessoal de poder. Quem acredita na súbita vocação de Jânio para “salvar a cidade” merece mesmo continuar sendo enganado. Porque, como sempre, só se engana quem quer.