pre candidatos porto seguro

 

Como diria aquele velho ditado que ninguém mais leva a sério: “O povo tem memória curta.” E em Porto Seguro, parece que o lema foi elevado à categoria de princípio constitucional não escrito. Mas desta vez, talvez — e só talvez — a maré comece a virar.

 

Diante do circo eleitoral montado pelo prefeito Jânio Natal e seu ventríloquo de estimação, o vice Paulinho Toa Toa, é forçoso admitir: errar foi humano, repetir o erro será burrice institucionalizada.

 

E veja só, caros leitores: aqui escreve alguém que já empunhou bandeiras contra nomes como Ubaldino Júnior e Luigi Rotunno. Assumo. Errei. Mas como a vida, ao contrário dos mandatos de certos políticos, não é eterna — nem deveria ser — chegou o momento de rever conceitos. Porque, sinceramente, pior do que está... só se Jânio e Paulinho decidirem governar por holograma, direto de Dubai.

 

A MAQUIAGEM ELEITOREIRA

 

A cidade, mergulhada no caos da maquiagem eleitoreira, virou laboratório de uma engenharia política que mistura teatro, cinismo e um toque de má-fé institucional. O eleitor foi iludido com promessas embriagadas por empréstimos milionários, vendilhões de ocasião e obras que, se tivessem mesmo sido concluídas, talvez Porto Seguro hoje tivesse ruas transitáveis e uma ponte funcional. Mas não.

 

A ponte virou meme. A rua Antonio Osório Batista, um cratera em forma de avenida. E o povo? O povo paga a conta — com juros, correção monetária e vergonha alheia.

Agora, com a cassação de Jânio batendo à porta — e o STF cada vez mais afiado — assiste-se ao nascimento da campanha mais descarada da história recente do município: a canonização de Paulinho Toa Toa. O vice, que nunca governou uma quitanda, agora se apresenta como o novo salvador da pátria. É o “Zé dos Cargos”, homem de fé, que não descola do prefeito nem com reza braba. Se Jânio respira, Paulinho inspira. Se Jânio fala, Paulinho ri. Se Jânio cai, Paulinho senta na cadeira.

 

BALCÃO DE NOMEAÇÕES

 

Enquanto isso, a prefeitura se transforma num balcão de nomeações: são milhares — isso mesmo, milhares — de assessores fantasmas que consomem, segundo estimativas, mais de R$ 10 milhões mensais dos cofres públicos. É dinheiro que poderia estar bancando saúde, educação, infraestrutura. Mas está bancando silêncio, subserviência e a eterna campanha eleitoral de um grupo que governa com a mesma ética de um agiota de esquina.

 

E tem mais: para o morador, resta o abandono. Para o turista, a cobrança. Porto Seguro virou terra de taxas — paga-se para entrar, para parar, para respirar. A Zona Azul subiu 150%, a Taxa de Preservação Ambiental virou uma máquina de arrancar dinheiro, e, do jeito que vai, em breve o visitante pagará até para olhar o mar. Tudo isso, claro, em nome da “gestão eficiente”, aquela que investe mais em publicidade do que em tapa-buracos.

 

QUE VENHAM TODOS

 

Portanto, que venham todos os candidatos — Cláudia Oliveira, Ubaldino, Luigi, o Batman, o Papa. Qualquer um que queira resgatar a dignidade mínima desta cidade que já foi símbolo da História do Brasil e hoje virou símbolo da esperteza administrativa.

Mas que o eleitor esteja, desta vez, vacinado contra promessas encantadas e marketing de obra fake.  A cidade virou laboratório de maquiagem política. Obras começam e param como se fossem elementos cenográficos. Ponte que não sai do papel, rua que passou seis meses abandonada e agora é “transformada” com asfalto eleitoreiro.

 

Está na hora de fechar a lojinha. Chega de enganação. Porto Seguro merece um governo, não uma quadrilha fardada de gestor.