
No outrora, aprazível e tranquilo Residencial Marina Buranhém, localizado no Campinho, em Porto Seguro, a vida de centenas de moradores foi, mais uma vez, virada do avesso na madrugada deste domingo, 14 de setembro. A razão? O mesmo paredão de som criminoso que, noite após noite, volta e meia transforma um bairro residencial em campo de tortura.
O que se ouviu na noite passada, como sempre, não foi música: foi um atentado sonoro. Funk de quinta exaltando o crime, sertanejo brega, batidão e ruídos ensurdecedores que atravessaram a madrugada e esmagaram o direito básico ao descanso. Só alguém sem um mínimo de respeito pela sociedade seria capaz de promover tamanha agressão.
CADÊ A PREFEITURA?
E onde está a Prefeitura? Onde está a Secretaria de Meio Ambiente? Pra variar, escondidas. Silenciosas. Fingindo que não é com elas.
A mesma gestão que corre para meter a mão no bolso e arrancar do turista a famigerada e intragável “Taxa de Preservação Ambiental” não move um dedo sequer para preservar o bem-estar do próprio povo.
É a hipocrisia oficial em seu estado mais puro: discurso verde para inglês ver, enquanto o cidadão local é tratado como lixo descartável.
O secretário Jânio Júnior, vendido como uma grande e boa promessa da política local, prefere cruzar os braços. Pergunta-se: é assim que pretende construir carreira? É esse o modelo de “renovação” que se oferece a Porto Seguro? Uma administração que permite que idosos, crianças e doentes sejam massacrados por decibéis ilegais?
Mas se a Prefeitura acha que vai continuar empurrando com a barriga, está enganada.
O Marina Buranhém não é boate. Não é cabaré. Não é praça de show. É lar de dezenas de famílias, que não vão mais aceitar ser transformadas em vítimas de uma agressão sonora que a lei, em tese, já proíbe.
Porto Seguro não precisa de mais discursos baratos e enganosos. Precisa de ação. E precisa já. Se a Prefeitura se omite, espera-se que ao menos o MP faça a sua parte.