
Porto Seguro com certeza nunca viu nada igual. Depois de quase 5 anos de gestão em ritmo de tartaruga sonolenta, o prefeito Jânio Natal resolveu colocar o pé no acelerador. E não é pouco.
De uma hora pra outra, pontes paralisadas há mais de ano surgem do papel, ruas ganham maquiagem nova, anel viário aparece como prioridade, e o prefeito...
bom, o prefeito virou uma máquina de assinar ordem de serviço. Tudo isso justo agora, com o Supremo Tribunal Federal prestes a julgar (possivelmente, veja bem, possivelmente) a manutenção do seu mandato.
Coincidência? Só se você também acredita que político trabalha melhor sob pressão porque “ama o povo”.
A cena é tão surreal que parece saída de um roteiro de comédia política: Jânio colado dia e noite no seu vice, Paulinho Toa Toa — que mais parece boneco de ventríloquo do que gestor — e, de quebra, a primeira-dama, que após décadas de invisibilidade pública agora virou musa fitness, ciclista e presença obrigatória em qualquer evento, por mais irrelevante que seja. Parece piada pronta. Mas é só Porto Seguro sendo Porto Seguro.
O QUE DE FATO ESTARIA EM JOGO?
Não se trata apenas do cargo. Há muito mais por trás da súbita e inesperada energia do prefeito. Quem conhece os bastidores sabe que a matemática do poder não se faz com menos ou divisão — a calculadora preferida por certas gestões só trabalha com soma e multiplicação. Principalmente quando o assunto é movimentação de verbas, remanejamentos relâmpago e aquelas mágicas contábeis que transformam despesa sem lastro em obra “justificada”.
Durante cinco anos, segundo dizem por aí (e apenas dizem, fique claro), Jânio operou com 100% de liberdade orçamentária, amparado por uma base legislativa que vota tudo — desde que venha acompanhado de afeto financeiro. E a fiscalização? Bem, essa virou artigo de colecionador. O TCM e o Ministério Público estiveram, aparentemente, em retiro espiritual.
Mas há um porém: se o prefeito cair antes de fechar o segundo mandato, o castelo contábil pode ruir. E aí o buraco não é apenas fiscal. É penal.
A conta bate na porta — e, com ela, a necessidade urgente de “gerar papel”, movimentar recursos e construir uma narrativa contábil que possa proteger não apenas o nome, mas quem sabe a liberdade.
O VICE COMO SEGURO DE VIDA
É nesse momento que o vice se torna figura central. Afinal, Jânio não é tão burro como foi Ubaldino e que, guloso e metido a esperto demais, foi brigar justamente com o seu vice, que - dizem - queria apenas um simples apartamento em Vitória. Deu no que deu. Não querer dividir o pão ou apenas uma beirada do dia a dia acaba assim.
Isso tudo porque, quando a cassação ronda, a fidelidade do sucessor é mais valiosa que qualquer maioria na Câmara.
Se o vice resolver abrir a caixa-preta, mostrar contratos, questionar decisões, o que certamente Paulinho nunca fará, até mesmo porque fez parte direta na adminsitração ... o enredo muda completamente.
Por isso, é melhor andar grudado, sorrindo para fotos e garantindo que tudo continuará como está — mesmo sem o maestro na batuta.
E enquanto tudo isso acontece, Porto Seguro sorri. Vai às festas. Lê os releases da prefeitura como se fossem notas de esperança. A cidade finge que não vê, e quem vê finge que não se importa. O espetáculo continua.
Afinal, como diria um velho ditado político: "quem sobrevive não é o honesto nem o corrupto — é o que sabe esconder melhor o rastro".