
Por mais que o prefeito Jânio Natal jure de pés juntos — e talvez até de cabeça para baixo, se precisar — que seu mandato está garantido, a matemática jurídica anda fazendo contas diferentes daquelas que ele está acostumado a usar na urna eletrônica.
Segundo o próprio, ser eleito, diplomado e não assumir o cargo, não só é possível, como pode ser a fórmula definitiva da reeleição perpétua. Basta um pequeno detalhe: passar o bastão (e a chave da prefeitura) para o irmão sem voto. Fácil, não?
O PESADELO NOTURNO
O problema é que nem tudo é tão simples assim no país da toga. Um certo passarinho — daqueles que cochicham verdades no escuro — contou que as noites do prefeito, outrora tranquila e ventiladas pelas brisas do Alto do Mundaí, hoje são povoadas por pesadelos com um nome só: Cármen Lúcia.
Sim, ela mesma. A ministra que passou um sabão público nos colegas do TSE por terem dado uma sobrevida ao mandato do prefeito. E agora, se o destino ou o Supremo permitir, ela pode ser justamente a relatora do julgamento que decidirá, de uma vez por todas, se o mandato de Jânio vai para o Diário Oficial ou para o necrotério eleitoral.
HAJA ZOLPIDEM E RIVOTRIL
Nisso, o prefeito tem se tornado figurinha carimbada em Brasília, num sobe e desce frenético atrás de apoio político, com direito a café, selfie e desespero com o presidente nacional do PL, Waldemar Costa Neto. Mas nem o PL parece tão certo assim de querer continuar nesse barco que pode virar ou afundar a qualquer momento.
Enquanto isso, as farmácias de Porto Seguro registram aumento curioso na venda de Zolpidem, Rivotril e Clonazepam — e não, não é coincidência. Afinal, quando o fantasma da ministra Cármen ronda os corredores do Supremo, até político dorminhoco vira insone.
Se o mandato vai ser cassado? Ainda é cedo pra cravar. Mas que o prefeito já está mais nervoso que testemunha em CPI, isso está mais do que claro.