ASSALTO

 

Porto Seguro não tem prefeito; tem um cobrador de pedágios fantasiado de gestor público. Não governa, arrecada. Não administra, extorque. Ainda nem pagou as primeiras prestações dos 300 ou 400 milhões de reais de empréstimos que contraiu para tentar parecer ser um tocador de obras, engabelar o eleitor e vencer a eleição, na maior cara de pau o sujeito acabou de pedir mais R$ 100 milhões emprestados à Caixa, ressuscitou a Zona Azul com um reajuste pornográfico de 150% e, agora, com a colaboração de uma Câmara de Vereadores que parece mais balcão de negócios do que Casa do Povo, inventou a tal “taxa de preservação ambiental”. Dez reais por carro, por dia, de todo turista ou visitante que ousar pisar na cidade.

É claro que não se trata de preservação nenhuma. Trata-se de mais um assalto descarado ao bolso de quem trabalha, de quem produz, de quem visita e ajuda a movimentar a economia local. A Câmara, covarde, omissa e vendida, assinou embaixo desse estupro tributário com a naturalidade de quem troca favores com o Executivo em troca de carguinhos e benesses. Como já dizia o saudoso jornalista Fernando Koragem em seus extremismos literários,  "nessa cidade todos sabem por quanto uma mulher tira a roupa e por quanto um canalha se vende". Ou pelo menos imagina-se. 

RAPINAGEM 

Porto Seguro já tem um dos IPTUs mais caros do Brasil, uma futura Zona Azul transformada em mina de ouro para a prefeitura, além da indústria das multas que, dizem, evaporaram sem deixar rastro — estima-se que algo em torno R$ 50 milhões de reais em cinco anos teriam sumido  da conta do Fundo Municipal de Transito como se jamais tivessem existido. Ou seja, odinheiro das multas só poderia ser gasto em ações que viessem a melhorar o trânsito, mas o que se vê no  trânsito é quase  um caos, as ruas parecem crateras lunares e a cidade simplesmente parece que  parou no tempo. O dinheiro, esse sim, não parou: sumiu nos corredores da máquina pública. E o pior, não há dinheiro que chegue para saciar o apetite da atual gestão. Porto Seguro virou um grande saco sem fundo para esta gente. 

Agora, como se já não bastasse, querem meter a mão também nos bolsos dos turistas que chegam pela BR-367 — rodovia federal, o que atrai a competência da União e torna a jogada ainda mais absurda. É o tipo de ideia que só pode nascer de três coisas: ignorância jurídica e constitucional ou má-fé deliberada. Talvez as três.

O nome disso não é política pública. É rapinagem. É oficializar o confisco. Porto Seguro, a cidade da primeira missa, hoje se ajoelha diante de um prefeito arrecadador compulsivo e de vereadores vendilhões, que preferem dobrar a espinha ao Executivo em vez de defender quem os colocou no cargo. Não é para rir não, caro leitor. Porto Seguro está sendo saqueada sem dó nem piedade! Salve-se quem puder!